segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Muito cedo, ainda.
No decorrer do noite e da manhã o silêncio foi-se quebrando devagarinho. Já se fazia ouvir o movimento dos carros, dos passos, o som do lago a bater nas pedras e o frio a cortar o raciocínio. Nada de mais, porém havia um ligeiro sonoro que não se fazia notar há dias. Chegou a casa. Deitou-se. Deu umas voltas e adormeceu. Fechou os olhos e num ápice eles deram acordo. O corpo e a cabeça queriam descansar e ficar na cama, mas esta empurrou-o de lá para fora, sem dar importância ao cansaço. Como sempre. O dia nada de novo trouxe. Apenas fê-lo pensar se a quebra do silêncio antevia o amanhecer do dia de hoje: sol radiante, (supostamente) contagioso que iluminava toda a sala. Depressa percebeu que era só o Sol a tentar, tal como ele, mostrar o ar da sua graça e a sua força para brilhar; o silêncio da casa é a melhor forma de apaziguar os confrontos entre o coração, a alma e a cabeça. Mesmo com o Sol a irradiar e a aquecer a casa através da janela, ele não olha para ele, porque não quer e porque não vai deixar que um toque cego o iluda novamente. Palavra de ordem: silêncio. E que assim continue, por favor.
Norte.
Nós decidimos o nosso futuro. Traçamos as nossas rotas. Tomamos as nossas próprias decisões. E perspectivamos o melhor. Cada passo, cada percurso e cada caminho que pisamos são inteira responsabilidade nossa. Se rumarmos para Norte, vamos para Norte. Não interessa se alguém vem questionar a nossa decisão. Porque continuaremos nesta direcção. Somos avisados dos perigos. Das consequências. E da gravidade alicerce a esta escolha. Podemos dar-nos ao luxo de ponderar ir pelos restantes pontos cordiais. Mas mesmo assim, levamos a nossa avante. Chega a um ponto que o Norte que é traiçoeiro. Faz o que quer. Age de um modo egoísta e chama as maldades de inconsciência, porque não foi com intenção que feriu, mas por inconsciência; esquece-se que o Homem traçou o seu itinerário na esperança de ser bem sucedido, ainda que o Sul, o Este e o Oeste o tivessem avisado. Ao longo do caminho os obstáculos vão sendo tantos, que temos que deixar coisas para trás, para nosso próprio bem. Damo-nos por vencidos e sem forças para continuar;
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Como sempre.
Escrevi duas linhas. Risquei-as. Quero e as palavras não saem. Quero explodir, mas os pensamentos controversos não me deixam. A caneta não parece querer deitar tinta ou ser usada, nem as linhas quererem ser ocupadas. Vou fechar os olhos, ouvir música e adormecer com todos estes sentimentos que me têm invadido positiva e negativamente. Só as lágrimas têm coragem de escapar, ainda que seja em jeito subtil, pregando partidas aos meus olhos, pois não lhes permitem pestanejar nem controlar o que o coração quer esconder.
Silêncio.
Estou a tentar escrever tudo o que me vem à cabeça e que as palavras fluam com naturalidade, como faço sempre. Esta está a ser a escrita mais difícil dos últimos tempos.
O que poderia estar a ser um sonho, está-se a acostumar ao silêncio e a conduzir-me à mágoa e à desilusão. O silêncio tem pairado no ar à velocidade da respiração. Há corpos sem harmonia, sem alma e sem vontade de falar. Apenas se têm movido. Também faz bem, é verdade. O silêncio está a apoderar-se de tal forma de mim, que prefiro permanecer calada em todas as situações. É estranho, porque eu gosto de ouvir vozes. Gosto de falar. Gosto de rir. E, ultimamente, isso não acontece. E tende a agravar-se. Bastante, atrevo-me a confessar! Não consigo ouvir passos, a neve ou a chuva a cair, o movimento dos carros, as pessoas a tocarem, constantemente, à campainha, responder às perguntas orais; isto não deixou de existir, é comum e permanece. Eu é que não me sinto com capacidade de ouvir um único barulho. Por menor que seja. Quero ouvir. Quero conversar. Quero sair e sorrir como faço sempre. Contudo esta introspecção que vai além do normal está-se a tornar cada vez mais presente e rotineira. A única coisa que consigo ouvir neste momento são as palavras e as frases que vou lendo, quando me "falam". Se voltasse ao começo, teria entendido os sinais das conversas e não chegaria a este ponto. As saudades não me atacam ou tão pouco me invadem. Contudo, o silêncio leva-me a perceber que há coisas que só se compreendem com a distância e quando se "conhece", apenas uma única pessoa. Mas essa ausência faz-nos perceber muita coisa que outrora não se compreendia. Enquanto não houver consideração, o silêncio não desaparecerá. Seja como for não será fácil que tudo volte ao normal, porque o ser humano perdoa, mas quando a ausência de respeito é maior que tudo o que está perto e connosco, nunca se esquece.
O que poderia estar a ser um sonho, está-se a acostumar ao silêncio e a conduzir-me à mágoa e à desilusão. O silêncio tem pairado no ar à velocidade da respiração. Há corpos sem harmonia, sem alma e sem vontade de falar. Apenas se têm movido. Também faz bem, é verdade. O silêncio está a apoderar-se de tal forma de mim, que prefiro permanecer calada em todas as situações. É estranho, porque eu gosto de ouvir vozes. Gosto de falar. Gosto de rir. E, ultimamente, isso não acontece. E tende a agravar-se. Bastante, atrevo-me a confessar! Não consigo ouvir passos, a neve ou a chuva a cair, o movimento dos carros, as pessoas a tocarem, constantemente, à campainha, responder às perguntas orais; isto não deixou de existir, é comum e permanece. Eu é que não me sinto com capacidade de ouvir um único barulho. Por menor que seja. Quero ouvir. Quero conversar. Quero sair e sorrir como faço sempre. Contudo esta introspecção que vai além do normal está-se a tornar cada vez mais presente e rotineira. A única coisa que consigo ouvir neste momento são as palavras e as frases que vou lendo, quando me "falam". Se voltasse ao começo, teria entendido os sinais das conversas e não chegaria a este ponto. As saudades não me atacam ou tão pouco me invadem. Contudo, o silêncio leva-me a perceber que há coisas que só se compreendem com a distância e quando se "conhece", apenas uma única pessoa. Mas essa ausência faz-nos perceber muita coisa que outrora não se compreendia. Enquanto não houver consideração, o silêncio não desaparecerá. Seja como for não será fácil que tudo volte ao normal, porque o ser humano perdoa, mas quando a ausência de respeito é maior que tudo o que está perto e connosco, nunca se esquece.
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