segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Muito cedo, ainda.
No decorrer do noite e da manhã o silêncio foi-se quebrando devagarinho. Já se fazia ouvir o movimento dos carros, dos passos, o som do lago a bater nas pedras e o frio a cortar o raciocínio. Nada de mais, porém havia um ligeiro sonoro que não se fazia notar há dias. Chegou a casa. Deitou-se. Deu umas voltas e adormeceu. Fechou os olhos e num ápice eles deram acordo. O corpo e a cabeça queriam descansar e ficar na cama, mas esta empurrou-o de lá para fora, sem dar importância ao cansaço. Como sempre. O dia nada de novo trouxe. Apenas fê-lo pensar se a quebra do silêncio antevia o amanhecer do dia de hoje: sol radiante, (supostamente) contagioso que iluminava toda a sala. Depressa percebeu que era só o Sol a tentar, tal como ele, mostrar o ar da sua graça e a sua força para brilhar; o silêncio da casa é a melhor forma de apaziguar os confrontos entre o coração, a alma e a cabeça. Mesmo com o Sol a irradiar e a aquecer a casa através da janela, ele não olha para ele, porque não quer e porque não vai deixar que um toque cego o iluda novamente. Palavra de ordem: silêncio. E que assim continue, por favor.
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