domingo, 10 de abril de 2011

Vida Académica

          Cheguei, como sempre, atrasada à Escola Superior de Educação de Coimbra, no primeiro dia de praxe e o cenário foi: centenas de caloiros sentados nas escadas da porta da Escola curiosos com o decorrer do dia.
Envergonhada e com um nervoso miudinho pelo tão esperado dia de praxe entrei a sorrir e de “quatro” (posição preferida dos caloiros).
Na verdade, a Recepção ao Caloiro, para mim, passou a correr. Foi uma semana inesquecível e que quando recordo sinto umas saudades indescritíveis. Desde entrar nos Claustros e ouvir os doutores “MÃOS NOS ORGULHOS E SAI UM GLÓRIA À ESEC”. Todos cantávamos, todos pulávamos, todos riamos, todos fomos e somos felizes! Criámos músicas para os cursos, nomeadamente, a do meu primeiro curso, “Mas qual será? Mas qual será? O melhor curso da ESEC? É C.O, C.O É C.O, C.O”, dançámos, fomos leiloados, andámos com orelhas de “burros” e pintados, tivemos praxes todos os dias, às quais não fui de manhã, porque à noite havia festas e convívios com os doutores e com os caloiros para nos conhecermos. Não fosse Coimbra ser Coimbra.
É, é mesmo isso! A praxe na ESEC é de integração, não de humilhação. E é por isto que me orgulho tanto de ser caloira e sei que este vai ser o melhor ano da minha vida.
Tenho saudades de quando estávamos todos a ser praxados pela Real Tertúlia Bubones (Comissão de Praxe) e gritávamos, por exemplo, “Bom dia, excelentíssimo Mocho Real”. Das conversas do Mocho Real com os caloiros. Do carinho. Da missa do Caloiro. Do medo inicial. De ouvir a K&Batuna cantar só para nós a “Balada da Saudade” e no final fazer o grito académico. De me arrepiar com a música. De sentir a água do Mondego no cortejo da latada. Tantos momentos. De escolher o meu padrinho e a minha madrinha de baptismo e conhecer o resto da família de praxe. Deles me mandarem rebolar nas escadas da Escola, de estarem a molhar-me com mangueiras, a saltarem nas poças de água e eu a rir-me às gargalhadas e a explodir de alegria. Tenho os melhores padrinhos do Mundo, confesso! Parece que foi ontem que aqui cheguei.
Desde que vim para Coimbra e entrei na ESEC que mudei muito a minha maneira de ver as coisas. De ler a vida. De ler o que acontece. De ler o que passou e o que vai passar. Fiquei com uma visão diferente de muitos assuntos. Antes, dava importância a aparências. As posturas. Mesmo com alguma consciência nunca tive tanta como a que tenho agora de que a diferença é positiva. Que os diversos ideais são construtivos. Que a mudança é das coisas mais gratificantes que pode acontecer.
Agradeço, de coração, tudo o que tenho vivido. Não é fácil partilhar este turbilhão de sentimentos que Coimbra suscitou em mim. Contudo, posso dizer que a Vida Académica é a melhor coisa pela qual alguém pode passar. Quando me perguntam “Soraia estás a gostar de Coimbra?”, eu solto, de imediato, um sorriso, os meus olhos brilham e mil palavras me vêm à cabeça. Tive sorte, é um facto. Mas quem puder aproveitar bem o ano de caloiro e a entrada na Faculdade, que o faça. Gerindo tudo, nada é impossível. Dá para sair, criar novos laços, fortalecer laços que ficaram para trás, ser feliz. E crescer!

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